Skip to content

Atire a primeira pedra

março 1, 2011

Em um contexto onde o limite do prazer é simplesmente a imaginação humana, o mundo do sexo não tem limites. Um erro comum, geralmente, é ignorar uma das “profissões mais antigas do mundo” como assunto complexo e muitas vezes marginalizado. Até hoje, reações frente a troca de dinheiro por sexo, no  sentido mais óbvio, ainda são efusivas. Em uma sociedade completamente erotizada e exposta excessivamente a tudo, de orgias Big Brotherianas a músicas e danças de dar vergonha alheia, é incrível como as pessoas se recusam a discutir algo ainda tão pouco debatido.

Se somos capazes de falar sobre todo tipo de assuntos, porque a remuneração pelo sexo é tabu? Talvez pelas diversas conotações que damos ao sexo, ou o fato conhecido que colocar valor em algo tão intenso e ligada a nossos instintos mais básicos, pode ser ofensivo para muitos. Homens que usufruem dessa prática são mal vistos pelos “bons costumes” e as mulheres são ainda mais criminalizadas pelo feito. Por que isso é tão reprimido e ainda assim é um dos “ofícios” mais antigos da humanidade? Simples, é a tão comentada relação de poder.

Se considerarmos que tudo em nossas vidas é aprendido através de associações, com um número de variáveis tão diverso quanto existem estrelas no céu, não é difícil imaginar que algumas mulheres simplesmente façam a simples ligação do poder embutido no sexo – ou mais profundamente pensando, a palavra NÃO e o sexo – com a materialização de algumas verdinhas.

Na verdade, se imaginarmos que em algum momento na vida, toda mulher que tem uma vida sexual ativa faz uso dessa moeda de barganha, algumas vezes em coisas materiais (Ex: a presença de um companheiro em um evento ou o apoio em alguma empreitada específica) até coisas imateriais e mais subjetivas (Ex: demonstrações de carinho, segurança ou compreensão em situações adversas), o sexo é nada mais que uma relação de poder básica e fundamental na relação entre seres humanos. Homens, por sua vez, têm praticamente todas as “vantagens” do sexo casual de forma instantânea, e é público e notório o instinto masculino primitivo.

A questão é que as pessoas não pensam nos motivos MENOS óbvios de se tornarem contratantes e contratados desse serviço. Em pesquisa pelo meio, conversando com ambos os lados (no caso, focando nas práticas primordialmente heterossexuais), existe um mundo de cinza entre o preto e branco do puritanismo. Por exemplo, muitas garotas saem do ramo se casando ou relacionando de forma mais séria com clientes. Um número enorme de garotas e rapazes, que usufruem dessa troca comercial acabam ficando amigos e mantém amizade, mesmo depois de cortarem relações “comerciais”.

Existem sim aquelas que, por questões de fetiche ou relações ao longo da vida, aproveitam a condição de falta de compromisso para realizar fantasias e se redescobrirem no sexo através da prática. Entre os homens, acaba sendo ainda mais surpreendente. Desde a possibilidade de realizar fetiches que causam constrangimento social (alguns até de forma patológica e incapacitante nas suas relações cotidianos) até aqueles que simplesmente procuram carinho, conforto e uma simples conversa com uma “garota de programa” que não vai lhes julgar quando eles dispensarem o sexo em troca de uma bom papo. Nesse momento, eles não sentem que suas virilidade serão questionadas por um simples motivo: a relação não impõe outras cobranças a não ser a mais óbvia, a monetária.

Retirar as pressões e cobranças emocionais de uma relação pode parecer bobeira para muita gente, mas é um grande peso a se tirar das costas de alguns e isso, para essas pessoas, não tem preço. Existem ainda comunidades inteiras de garotas (e garotos) de programa e outra ainda maior de fóruns e salas de discussão para usuários dos serviços, onde podem trocar experiências e elaborar essas questões, até levando a se conhecerem fora do ambiente virtual e criarem novas amizades offline. Como podem ver, nem tudo é feito por “inabilidade” de conduzir uma relação saudável.

Pode parecer bobagem, mais existem muito mais motivos para se executar essa prática do que simplesmente a “vida fácil”, que de fácil, não tem nada. A maioria dos usuários masculinos desses serviços são casados, que ralam para manter esse “segredo obscuro”. Algumas das G.P. (garotas de programa) têm que conciliar família (mães solteiras, casadas, menores de idade vivendo com as mães, etc), carreira (um grande número de estagiárias e universitárias) e até relacionamentos sérios como namoros, noivados e até casamentos (com ou sem ciência dos digníssimos).

Largando os estereótipos de lado e pensando na subjetividade de todos os envolvidos, acho interessante as vezes pararmos para pensar algo que está posto e que, simplesmente, ganhou uma nova roupagem quando surgiu a indústria do sexo. Pense no que de mais primordial existe por detrás dessas relações, que acontecem todos os dias, milhões de vezes por dia mundo a fora. Existem mais motivos para se vender e comprar sexo do que sonha nossa vã filosfia. Pense nisso e não no que seus avós colocam como “é, porque é”.

Até mais…

Mestre Soleon.

One Comment leave one →
  1. Rita Moreira permalink
    março 19, 2011 8:44

    Fiquei muito contentinha de ler sua prosa. Eu ainda sou novinha, tenho 22 aninhos, mas muitas vezes meu marido é camionista anda muito por fora eu fico com vontade de ser cumida por um Homem. Aí eu visto-me atrevida e vou até ao Bar Lua de Mel beber uma cervejinha e quando um Homem se mostra mais atrevido eu mostro-me oferecidinha a ele mas vou logo pedindo que ele me dê dinheiro para as minhas despesas com roupinha e sapatos para ser bunita. Assim eu acho que sou puta, mas gosto e fico contentinha junto dois prazeres: ser cumida por um Homem e receber dinheiro para fazer comprinhas e me por mais bonita

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: